APRESENTAÇÃO

"O Grito é uma pintura do norueguês Edvard Munch, datada
de
momento de profunda angústia e desespero existencial".
Por que crise nervosa? Para início de conversa eu gostaria de me apresentar. Eu sou jornalista recém-formada e a mais recente desempregada na Bahia. Isso já explica tudo.
Eu estudava direito e jornalismo, mas em 2001 decidi abandonar uma possível carreira jurídica para me dedicar ao curso de comunicação da Universidade Federal da Bahia. Fui chamada de louca. Os meus pais queriam que eu concluísse os dois cursos, enquanto os mais cruéis da família diziam que eu tinha vocação para a pobreza.
Desde os tempos de colégio eu sonhava em ser jornalista. Marlon, professor de história, também cursava jornalismo e me incentivava. “Você tem perfil de jornalista”, dizia ele.
Eu chutei o pau da barraca, tomei a minha decisão e, em 2006, finalmente concluí a graduação em comunicação social com habilitação
Quando a oposição conseguia espaço numa rádio da região para tecer críticas à gestão, o prefeito mandava chamar “a comunicação”. “A oposição bate e a gente não responde!”, ele bradava. Eu disse a ele certa vez: “A comunicação só é importante quando a oposição bate”. Ele não entendeu. Um ano se passou e nenhuma das minhas solicitações foi atendida.
Muita gente me dizia pra eu relaxar: “Faça o que pode e vá levando”, eu ouvia. Mas, mais uma vez, eu resolvi contrariar a maioria das opiniões. Decidi que estava muito cedo para eu me acomodar. Pela segunda vez, chutei o pau da barraca, pedi a minha exoneração e voltei pra casa.
Agora eu me pergunto: “E agora?”.
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